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Ordens do Amor


No estudo da constelação familiar observamos a existência de três ordens do amor: pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio entre dar e tomar.


Pertencimento


A primeira ordem do amor é o pertencimento. Todos que pertencem ou um dia pertenceram à família têm o mesmo direito de pertencer a ela.

Mas você sabe quem faz parte do sistema familiar?

Segundo Bert, fazem parte de um sistema familiar:

*todos os filhos, mesmos os abortados, natimortos, dados ou esquecidos, assim como os meios-irmãos;

*os pais e seus irmãos biológicos, incluindo os abortados (voluntária ou espontaneamente), dados, esquecidos ou perdidos;

*os parceiros anteriores dos pais;

*os avós, e em casos excepcionais, parceiros anteriores dos avós;

*todos cuja morte precoce ou perda trouxe algum benefício aos membros da família;

*em caso de assassinato, a vítima e o agressor começam a pertencer à família um do outro;

*quando a família teve alguma vantagem à custa de outra pessoa, a pessoa prejudicada também pertence à família.


Por isso, em uma constelação, às vezes podem aparecer pessoas que sequer sabíamos da existência, mas que devem ser visto como parte da nossa história.


Exclusão



Muitas vezes, observamos na famílias que, por diversos motivos, alguns de seus membros acabam sendo excluídos, seja porque tiveram alguma conduta da qual a família se envergonha, e por isso exclui essa pessoa, seja porque muitas vezes sua passagem na família foi efêmera, como em casos de aborto, onde esses bebês muitas vezes são tidas como se nunca tivessem existido. Independente da forma ou circunstância que envolvam essa exclusão, o que se percebe é que quando a um membro é negado este direito de pertencer, isto causa uma desordem em todo o sistema, que pode enfrentar diversas consequências.


Consequências da exclusão


Sempre que um membro da família é excluído surge um movimento dentro da família para trazer o membro afastado ou esquecido de volta, a fim de lhe seja dado o devido reconhecimento e lugar que lhe cabe.

Assim é que, comumente, observa-se descendentes representando um membro da família excluído, com atitudes que representem aquele familiar de modo a trazer à luz aquela questão que não foi vista. Desta feita, o membro que representa o familiar excluído também se sente como ele, isolado, esquecido ou deixado de lado, assumindo sentimentos e sintomas deste membro, e inclusive, comportando-se como a pessoa representada.


O que é um emaranhamento?

Um emaranhamento ocorre quando nos envolvemos em questões que não são nossas, e sim de nossos antepassados. A pessoa sente em si uma energia que não lhe pertence, que representa um membro da família excluído ou esquecido, e isto pode acontecer mesmo que a pessoa nunca tenha ouvido falar dessa pessoa, que pode inclusive ter falecido há muitas gerações. O membro da família que representa um excluído não é responsável pela exclusão, mas de alguma forma quer reparar aquela injustiça, pois independente dos motivos que levaram a essa exclusão, todos os membros da família tem o direito de pertencer. Deste modo, o emaranhamento mostra como todos os membros da família são conectados entre si.



Tenho que incluir também os mortos?


Ninguém perde o seu direito de pertencer através de sua morte. Isto significa que os membros familiares mortos são tratados pela consciência coletiva da mesma forma que os vivos. Ninguém é separado de sua família através de sua morte. Ela abrange igualmente seus membros familiares vivos e mortos. Esta consciência também traz de volta os membros mortos para a família, se foram excluídos. Sim; principalmente esses. Portanto, uma pessoa perde a sua vida através de sua morte, mas nunca o seu pertencimento à família. (HELLINGER, 2019, p. 55)




Hierarquia


A segunda ordem do amor é a Hierarquia, e ela é determinada pelo tempo de pertencimento, sendo que os que vieram primeiro tem maior precedência. Assim, os que vieram antes, na hierarquia, são maiores do que os que vem depois. Observando, portanto, as famílias, os pais sempre são maiores que os filhos, assim como o casal tem precedência sobre os filhos, pois vieram antes.



Família atual e família de origem


A família atual vem antes da família de origem. Assim, uma nova família, por segundo casamento por exemplo, vem antes do primeiro casamento quando dessa nova família se gerou ao menos um filho.

Já com relação aos filhos, os que nasceram antes, mesmo sendo meios-irmãos, tem precedência, conforme a data de nascimento. Tendo havido abortos, estes também são contados.


Violação das ordens de precedência


A violação das ordens de precedência nos traz consequências pois quem vem depois não consegue resolver as questões de quem veio antes. A violação aqui se observa, por exemplo, quando um filho, violando a ordem de precedência, quer assumir um destino ou uma situação dolorosa pelos pais. Assim, em sua alma, disponibiliza-se a sofrer, ficar doente, ou até morrer no lugar de seus pais, por amor. Apesar de se tratar de amor, este é um amor cego, que prejudica o filho e não ajuda seus pais, pois achar que pode resolver o problema dos pais ou sofrer no lugar deles é uma grande presunção.


A consciência coletiva não permite que os pósteros se intrometam nos assuntos de seus antepassados, mesmo que as intenções sejam as melhores. (...) Por isso, os pósteros não devem sentir-se compelidos a impor o direito dos antepassados no lugar deles, a expiar sua culpa nem a libertá-los posteriormente de um destino ruim. Quem vem depois nunca pode ajudar quem vem antes. Contudo, se isso acontecer, o póstero reage a essa usurpação sob a influência da consciência de clã com uma necessidade de fracasso e ruína . (HELLINGER, 2020 p. 153)


Equilíbrio entre dar e tomar


Observa-se que, nas relações, precisa-se de um equilíbrio entre o dar e o tomar. Assim, quando alguém recebe algo, sente-se obrigado a equilibrar a relação, também dando algo. A necessidade de equilíbrio serve ao relacionamento. (Bert, 2019, p. 83).


Relação de pais e filhos

Aqui, necessário se faz pontuar que o equilíbrio entre o dar e tomar somente é suspenso na relação de pais e filhos. Filhos jamais conseguem equilibrar o que os pais dão a eles, pois os pais deram a vida, e isso é grandioso demais para que possa ser retribuído. O equilíbrio vem depois, quando eles também transmitirem a vida ou fizeram algo de bom da sua vida.


Em uma relação de casal (GARRIDA, 2014, p. 49) observa-se:

Muitos relacionamentos se estragam e se rompem porque quem se sente devedor vive com desconforto sua dívida, que muitas vezes faz com que se sinta pequeno e dependente; e quem se sente credor também vive esse desconforto, pois faz com que se sinta grande e com direitos. Devedor e credor, se não encontrarem um modo de compensar e equilibrar o vínculo, não conseguirão mais se olhar nos olhos com confiança.

Quando uma pessoa somente dá e outra somente recebe, há um desequilíbrio, estando o relacionamento ameaçado porque reproduz uma relação maternal em vez de uma relação entre adultos. Ocorre uma desordem quando um dá mais que o outro é capaz de retribuir. Neste caso, o relacionamento se desequilibra, e aquele que recebe em excesso fica com raiva e com vontade de deixar a relação.

O ideal é que cada um dê um pouco para o relacionamento, tomando somente o que também necessita, de forma equilibrada.


Excessos que desequilibram as relações amorosas

Entre adultos, em uma relação amorosa, os excessos podem estragar uma relação tanto for atos positivos quanto negativos. Positivamente, quem faz demais, mesmo que seja por amor, acaba por gerar um desconforto no parceiro. O equilíbrio deve estar sempre presente, inclusive quando o outro nos causa um mal. Nesse caso, também se sente a necessidade de retribuir com algum mal, no entanto, é necessário aqui que essa retribuição do mal seja feita de forma comedida, a fim de não gerar um círculo vicioso de vingança onde um cada vez deseja prejudicar mais o outro. Na relação de casal, quando alguém sempre perdoa o mal que lhe é feito, sem que haja equilíbrio, ele coloca em risco a relação, porque se coloca num patamar superior, deixando de haver equilíbrio.


Qual a importância de respeitar as ordens do amor?

Com uma consciência clara das ordens do amor, e em um exercício diário e consciente de reconhecermos a família da qual pertencemos, nos mantermos no nosso lugar, e cultivando relações equilibradas no sentido de dar o que temos e receber o que necessitamos, podemos usufruir de uma vida mais leve, com saúde e alegria.

Bert declarou em sua autobiografia que Essas leis nada têm a ver com ética ou moral, tampouco se orientam pela compreensão. Quando são infringidas, provocam sofrimentos emocionais, mas também físicos. Trata-se de leis universais e férreas, que chamei de "ordens do amor". (HELLINGER, 2020, P. 137).


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